Pesquisar este blog

terça-feira, 24 de maio de 2011

Marta Medeiros

A Alegria na Tristeza

O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.
Martha Medeiros

Toda felicidade é construída por emoções secretas. Podem até comentar sobre nós, mas nos capturar, só com a nossa permissão."



"Vamos deixar para sofrer pelo que é realmente trágico, e não por aquilo que é apenas um incômodo, senão fica impraticável atravessar os dias"
Pelo o que me diz respeito
Eu sou feita de dúvidas
O que é torto, o que é direito
Diante da vida
O que é tido como certo, duvido
E não minto pra mim
Vou montada no meu medo
E mesmo que eu caia
Sou cobaia de mim mesma
No amor e na raiva
Vira e mexe me complico
Reciclo, tô farta, tô forte, tô viva
E só morro no fim
E pra quem anda nos trilhos cuidado com o trem
Eu por mim já descarrilho
E não atendo a ninguém
Só me rendo pelo brilho de quem vai fundo
E mergulha com tudo
Pra dentro de si
Lá do alto do telhado pula quem quiser
Só o gato que é gaiato
Cai de pé...

Desaprender para aprender. Deletar para escrever em cima.
Houve um tempo em que eu pensava que, para isso, seria preciso nascer de novo, mas hoje sei que dá pra renascer várias vezes nesta mesma vida. Basta desaprender o receio de mudar"
Martha Medeiros

“Tristeza é quando chove
quando está calor demais
quando o corpo dói
e os olhos pesam
tristeza é quando se dorme pouco
quando a voz sai fraca
quando as palavras cessam
e o corpo desobedece
tristeza é quando não se acha graça
quando não se sente fome
quando qualquer bobagem
nos faz chorar
tristeza é quando parece
que não vai acabar”

Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos ,um livro mais ou menos.
Tudo perda de tempo.
Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoraçao ou seu desprezo.
O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia.

QUEM MORRE?


Morre lentamente
Quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo

Morre lentamente
Quem destrói seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente
Quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajeto,
Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou
Não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente
Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções, Justamente as que resgatam o brilho dos
Olhos e os corações aos tropeços.

Morre lentamente
Quem não vira a mesa quando está infeliz
Com o seu trabalho, ou amor,
Quem não arrisca o certo pelo incerto
Para ir atrás de um sonho,
Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, Fugir dos conselhos sensatos...

Viva hoje !
Arrisque hoje !
Faça hoje !
Não se deixe morrer lentamente !

NÃO SE ESQUEÇA DE SER FELIZ

Só enquanto eu respirar
Vou lembrar de você
Só enquanto eu respirar

Filhos são do mundo (José Saramago)
Devemos criar os filhos para o mundo. Torná-los autônomos, libertos, até
de nossas ordens. A partir de certa idade, só valem conselhos.
Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto
aquele bebê que um dia levamos na barriga. E a maioria de nós pais
acredita e tenta fazer isso. O que não nos impede de sofrer quando fazem
escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios
sofrem pelas escolhas que recomendamos.

Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de
como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores
defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter
coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém
pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da
incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.

Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo! Então,
de quem são nossos filhos? Eu acredito que são de Deus, mas com respeito
aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém, um
tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica,
sociológica, psicológica e emocionalmente.

E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento? Não deveriam
retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice? Pensar assim é
entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo!

Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os
fllhos, olho meus pequenos pimpolhos e penso como seria bom se não
fossem apenas empréstimo! Mas é. Eles são do mundo. O problema é que meu
coração já é deles.
Santo anjo do Senhor...

É a mais concreta realidade. Só resta a nós, mães e pais, rezar e
aproveitar todos os momentos possíveis ao lado das nossas 'crias', que
mesmo sendo 'emprestadas' são a maior parte de nós !!!


"A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver "

José Saramago















McLuhan estabelece: "Não há diferença entre educação e diversão". Educar ludicamente não é jogar lições empacotadas para o educando consumir passivamente. Educar não é um ato inconsciente - ver o que acontece - é um ato consciente e planejado. É tornar o indivíduo consciente, engajado e feliz no mundo.
Para atingir esse fim, é preciso que: a) os pais voltem a substituir o "amor máquina" pelo "amor afeto", para que a criança possa expandir suas forças normal e naturalmente; b) os mestres substituam o conteúdo empacotado, a rigidez, a passividade pela vida, pela alegria, pelo entusiasmo de aprender, pela maneira de ver, pensar, compreender e reconstruir o conhecimento.
A esperança de uma criança, ao caminhar para a escola, é encontrar um amigo, um guia, um animador, um líder - alguém muito consciente e que se preocupe com ela e que a faça pensar, tomar consciência de si e do mundo e que seja capaz de dar-lhe as mãos para construir com ela uma nova história e uma socie¬dade melhor.
"Um dia, deixamos a escola com lágrimas nos olhos, pois ali vivemos os momentos mais felizes de nossa vida ... "
O que na realidade a escola oferece as nossas crianças?

O sucesso de uma criança, para a maioria dos pais e educadores, de modo geral, está em incentivá-Ios a estudar muito, para tirar "boas notas", passar no vestibular e arrumar, mais tarde, um bom emprego.
Esses educadores já pararam para pensar se a escola, realmente, tem preparado seus alunos para o mundo que os espera?
Há muitas décadas vem-se denunciando o fracasso da escola. Desde que a mesma passou a atender todas as camadas da sociedade, pode-se dizer que a escola pÚblica se esvaziou da camada "privilegiada", intitulada "elite".
Se, há algumas décadas atrás, cursava-se o primário na escola pública, e após o curso de admissão, o ginasial era feito em escolas particulares. A procura desta última virou uma obsessão, uma conquista, transformando-a numa "guerra" acirrada, que os pais, s8..m perceberem, sujeitavam seus filhos ao vestibular dos "baixinhos".
No entanto, uma outra pergunta deveria ser repensada por todos: - Qual das duas escolas prepara a criança para o mundo?
Na Folha de São Paulo de 08/05/05, Marcos Henrique Ituberava, SP), numa reflexão ao texto de Marcelo Coelho, na Ilustrada de 4/5 (O show de horrores dos colégios de elíte), faz o seguinte comentário, que se quisermos /a resposta estaria dada:
"Infelizmente', a , .. educação• brasileira perdeu sua dimensão inovadora.
Nossos jovens só estudam o que "cai no vestibular", deixando de aprofundar os estudos nas matérias. Posteriormente, nas universidades, continuam com esses métodos arraigados, ou seja, assistem às aulas e estudam até onde o professor deu, ou para passar em algum concurso. É mera reprodução do que foi dado em sala de aula.
Diante da concorrência e da falta de tempo, perde-se a dimensão criativa e inovadora que deve ser inerente ao ensino humanístico".
No entanto, o momento exige que se reflita muito mais, afinal o mundo vive novos paradigmas, as tendências em todos os segmentos da sociedade caminham para a renovação. Inclusive o vestibular.
Voltemos, então, a pergunta anterior e tentemos entender por que tão pouco caso com a educação escolar? Quem são os culpados desse descaso?
De um lado, temos as escolas que se preocupam e insistem em preparar seus alunos para o vestibular. Outras, no entanto, mais atrevidas, anunciam preparar seus alunos para a vida. Ambas, no fundo, se preocupam mesmo em ver a criança logo lendo, escrevendo e fazendo contas. É uma cobrança que vem dos próprios pais que não permitem a mudança. Mesmo que nessa corrida seus filhos fiquem para trás. Com isso, o que se percebe é que, na corrida da qualidade, a que consegue fazer seus alunos alcançarem essas habilidades, é classificada escola "A".
Acontece que nesta disputa acirrada, na realidade, nenhuma delas responde à pergunta. Aliás, há muitos anos essa resposta não vem sendo dada aos pais em sua maioria. Pessoas "leigas" no assunto, só teriam seus investimentos visivelmente garantidos após, aproximadamente, dezesseis anos. Com a entrada de seu filho ao maternal, finalmente passando no vestibular. É um tiro no escuro...
Ainda tem mais, não se pode esquecer que esse objetivo final, o vestibular, essa criança só dará resposta positiva se for mantida acesa a motivação inicial ¬Você vai à escola, para aprender a ler, escrever ... parece fácil, mas nem toda criança consegue alcançar com êxito, como é incentivado num primeiro momento, não lendo no primeiro ano escolar ou tendo muita dificuldade ao fazê¬-lo . Decepcionadas, percebem logo a motivação criada. A expectativa baixa faz com que a criança permaneça na escola por imposição.
Assim sendo, a primeira impressão que muitos alunos nos tem passado, é que são desordeiros, desinteressados e agressivos. E assim ficam rotulados até que se prove o contrário. Muitas vezes esse estigma se torna irreversível.
filhos fiquem para trás. Com isso, o que se percebe é que, na corrida da qualidade, a que consegue fazer seus alunos alcançarem essas habilidades, é classificada escola "A".
Acontece que nesta disputa acirrada, na realidade, nenhuma delas responde à pergunta. Aliás, há muitos anos essa resposta não vem sendo dada aos pais em sua maioria. Pessoas "leigas" no assunto, só teriam seus investimentos visivelmente garantidos após, aproximadamente, dezesseis anos. Com a entrada de seu filho ao maternal, finalmente passando no vestibular. É um tiro no escuro ...
Ainda tem mais, não se pode esquecer que esse objetivo final, o vestibular, essa criança só dará resposta positiva se for mantida acesa a motivação inicial ¬Você vai à escola, para aprender a ler, escrever... parece fácil, mas nem toda criança consegue alcançar com êxito, como é incentivado num primeiro momento, não lendo no primeiro ano escolar ou tendo muita dificuldade ao fazê¬-lo. Decepcionadas, perdem logo a motivação criada. A expectativa baixa faz com que a criança permaneça na escola por imposição.
Assim sendo, a primeira impressão que muitos alunos nos tem passado, é que são desordeiros, desinteressados e agressivos. E assim ficam rotulados até que se prove o contrário
O que tem acontecido é que a escola perdeu mesmo sua capacidade inovadora. Basta observar como trabalha o conhecimento. Passam informações acumuladas, de uma maneira repetitiva e sem objetivo em relação aos tempos atuais. Sendo que a criança tem nos meios de comunicação, nos computadores, didáticas mais atrativas e eletrizantes que fazem com que o pequeno usuário se interesse e processe sua aprendizagem de uma maneira mais acelerada, quase que imediatamente. Com um tratamento diferenciado vindo da parte dos pais e da sociedade: com mais tolerância, com seus direitos garantidos a "ferro e fogo", mais liberdade de se expressarem e reivindicarem. ° consumismo tem demonstrado isso o tempo todo.
Tivemos uma época, não muito distante, que a própria escola apontou e depois virou slogan "Na escola zero, na vida dez". Isso não mudou. A escola continua com os mesmos procedimentos didáticos. Faz apenas uma pequena "maquiagem". De vez em quando um "projeto didático" para alegrar a vida de sua clientela. No cotidiano, no entanto, aulas enfadonhas, relações frias entre alunos e professores continuam, em sua maioria. Acrescido a tudo isso, um tratamento totalmente contrário aos adotados pelos pais.
Tanto é que a Lei 9.394/96 continua no papel. Algumas tentativas foram acionadas , no entanto, retrocederam a era clássica, por dificuldade de implantá- las ou por medo do novo, da mudança ou ¬preocupação da lei já era, com os caminhos que a educação escolar tomava, alienada da sociedade que por ela passava.
Por isso, é necessário que a sociedade repense com mais responsabilidade e responda o que, na realidade, a escola está oferecendo, hoje, às nossas crianças.
É procedente dirigir à sociedade esta preocupação, uma vez que ficamos, a cada dia, mais estarrecidos com os horrores a que somos submetidos diariamente, seja pela camada da elite seja pela camada empobrecida através da crescente onda de corrupção e de violência.
É preciso que uma reflexão, em outra perspectiva, numa nova concepção, paute este espaço de aprendizagem significativo e, através do ousar, a escola repense novas metodologias, novo currículo, numa inovação necessária. Podendo, assim, o foco de aprendizagem sair dos pais e cair nas crianças.
Pode-se crê que a resposta duraria menos tempo, seria quase que imediata. Menos burocrática. Mais inclusiva.
E a escola renovada responderia:
- Estamos formando nossos alunos para o pensar, o raciocinar, o dialogar, o interagir, poder "errar", ousar e superar. Ser e não ter.
E nós poderíamos, então, assistir a uma transformação incrível: nosso jovem numa formação para autonomia moral e intelectual, auto-didatas, novos cidadãos. Uma sociedade mais feliz. Teríamos uma nova era com mais sonhos ...
Esse caminho também chega ao vestibular e estará, conseqüentemente, na escolha e tempo de alguém que um dia teve direito de ser criança. E aprendeu a pensar para a vida
________________________________________

Nenhum comentário:

Postar um comentário